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Filmes

Memória como construção conjunta


Plano de Aula do Filme Cemitério da Memória-Fragmentos da Vida Cotidiana | Documentário | De Marcos Pimentel | 2003 | 10 min | MG


Este documentário retrata o dia a dia de pessoas simples e expõe o lazer, brinquedos, costumes, preferências, propagandas que marcaram um período. Possibilita olhar para ontem e ver traços comuns em nossas vidas atualmente.
O trabalho com estes fragmentos pode auxiliar nossos jovens a compreender um pouco os costumes do século XX e assim provocar uma maior aproximação com pais, avós que certamente se identificarão com algumas das lembranças evocadas.




Objetivos
 Compreender a memória como construção conjunta, que contribui para a percepção do campo de possibilidades individuais, coletivas, comunitárias e nacionais.
 Integrar os diversos estudos sobre as relações estabelecidas entre o presente e o passado, entre o local, o regional, o nacional e o mundial.
 Estabelecer múltiplas relações temporais e espaciais, tanto no dia-a-dia individual, familiar, como no coletivo, de forma a olhar para as particularidades locais para ganhar dimensão histórica e espacial e retornem ao local na perspectiva de desvendá-lo, de desconstruí-lo e de reconstruí-lo.
 Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos.
 Compreender que a escrita e leitura são atividades que atendem diferentes funções.
 Ganhar consciência da capacidade de serem produtores de textos mesmo antes de saber escrever convencionalmente.
 Utilizar a linguagem oral com eficácia, sabendo adequá-la a intenções e situações comunicativas que requeiram conversar num grupo, expressar sentimentos e opiniões, defender pontos de vista, relatar acontecimentos, expor sobre temas estudados.



Situação Didática
Produto:
Exposição de fotos, documentos, sons que retratam a adolescência dos pais, professores.


Seqüência didática sugerida:

1. Apresentação do Curta: Cemitério da Memória - Fragmentos da Vida Cotidiana, de Marcos Pimentel.

2. Conversar sobre o tema do filme, pontos apreciados, elos comuns entre as imagens observadas e o cotidiano dos alunos, aspectos diferenciadores.

Orientação Didática:
Ao conversar com os alunos sobre o tema do curta o professor sensibiliza o grupo para aquilo que irá trabalhar. Ao ouvi-los abre espaço para crítica, para que teçam opiniões, estabeleçam relações com outras histórias já vividas ou conhecidas.

3. Propor que assistam novamente o curta e procurem registrar o assunto/tema que as imagens revelam.

4. Em pequenos grupos compartilhar as anotações e eleger critérios a fim de agrupar as imagens. Por exemplo, lazer, cenas familiares, fatos marcantes.

Orientação Didática:
O trabalho em grupos é de extrema importância nas salas de aula. Os agrupamentos devem ser intencionais e planejados. O professor deve considerar o conhecimento dos alunos da língua, a produtividade ou não que um aluno provoca sobre o outro e a possibilidade de realização da tarefa.
Sabemos que se aprende melhor quando começamos a pensar junto, pois aprender supõe reconhecer o outro como forma de aprendizagem.
Ao considerar esses aspectos dificilmente o professor terá grupos improdutivos.
Neste momento os alunos serão convidados a escrever para lembrar dados, arquivar informações, organizando o texto em listas.

5. Conversar com o grupo sobre a idéia da exposição.

Orientação Didática:
Esse é um momento importante em que o professor compartilha o produto a ser construído por todos. A intenção não é que ele imponha sua vontade e sim dê a sugestão abrindo espaço para conversa, negociação e ajustes que os alunos propuserem. A aprendizagem ganha sentido, pois todos, tanto professor como alunos, se relacionam entre si e acerca de um objeto de estudo, um objetivo comum.

6. Propor que realizem uma pesquisa da época de adolescentes dos pais, professores, equipe operacional da escola, enfim os diferentes adultos do entorno que retratem um período do século XX.

7. Eleger com os alunos os itens diretivos, tópicos da pesquisa. E as fontes de informação (entrevistas, fotos de arquivo pessoal, imagens de jornais, revistas da época, vídeos... )

Orientação Didática:
< Observar imagens, ler entrevistas, assistir vídeos, para colher informações faz com que os alunos:
* aprendam a situar-se diante da informação, a partir de suas próprias experiências,
* envolvam outras pessoas nesta busca e assim passam a considerar que a aprendizagem não está apenas relacionada à escola
* compreendam que aprender é um ato comunicativo, pois necessitam da informação que os diferentes meios trazem.
* não esperem passivamente que o professor tenha todas as respostas.

8. Divisão de tarefas: definir grupos e responsáveis por buscar, recolher e organizar as informações.

Orientação Didática:
Ao propormos tarefas descentralizamos a figura do professor que atuará como um coordenador, facilitador. Além de instrumentalizar os alunos e oferecer conhecimento para que possam realizar bem as tarefas. Assim um grupo pode se responsabilizar pelas entrevistas, enquanto outro pela coleta de imagens, fotos,
outro grupo ainda poderá buscar vídeos, canções que ilustrem as vivencias apontadas pelos entrevistados.
Por exemplo, formular perguntas para uma entrevista não é tão simples quanto parece. Para isso é interessante que o professor traga para sala de aula boas referências de entrevistas realizadas em jornais, revistas. A leitura destas entrevistas pode fazer parte de um momento de leitura em voz alta pelo professor.
Outro tipo de texto que deve fazer parte das rodas de leitura são os relatos de experiência vivida, diários, relato histórico desse período que esta sendo pesquisado e assim os alunos se cercam de informações valiosas que dão sentido e contexto às memórias que forem sendo resgatadas.
Visitar exposições também será muito útil ao grupo que poderá ter como orientação, observar como estão organizadas, informações que precisam ser dadas ao público, folhetos ou folder distribuídos. Nesta visita eles podem conversar com o curador, monitor e entender um pouco mais deste processo.

9. Produção de texto (fichas informativas, folder) e revisão.

Orientação Didática:
Para os textos produzidos pelos alunos serem de qualidade é fundamental que o professor compartilhe em salas bons modelos de folder, fichas informativas e realize um trabalho de análise com eles.
Planejar a situação de escrita organizando momentos em que o foco será:
a)olhar para as propriedades do texto:estrutura, suporte, vocabulário, relação título-conteúdo, relação imagem-texto, tempos ou modos verbais característicos...
b)analisar as propriedades do sistema de escrita: tipo de letra, ortografia.
No entanto é importante entender que essas situações devem acontecer em paralelo e não isolá-las como se fossem conteúdos sem conexão. É ideal que os alunos compreendam que este conhecimento contribuirá de forma significativa para a qualidade dos textos que eles produzirão
Após os textos estarem escritos inicia-se o trabalho de revisão que incluí a melhora do texto nos aspectos de ortografia, coerência, coesão e apresentação.

10. Organizar a exposição. Definir o espaço, forma de apresentação e registros a serem utilizados.

Orientação Didática:
Uma aprendizagem muito rica na busca e coleta de informações é aprender o que fazer com elas. Não necessariamente tudo o que for coletado precisará ser exibido. Nesse momento é preciso avaliar as melhores informações, as imagens mais interessantes, os relatos mais significativos.
Saber tratar a informação é distinguir o que é importante daquilo que não é tão relevante de acordo com o que esta sendo estudado.

11. Convidar a comunidade para a exposição. Os alunos podem atuar como monitores e acompanhar os grupos de visitas explicando todo o processo vivido. Na exposição pode haver um momento para a exibição do curta Cemitério da Memória - Fragmentos da Vida Cotidiana.

Orientação Didática:
Para uma proposta ser significativa é importante que se tenha uma visibilidade final do produto e a solução do problema compartilhado com as crianças. Ao final de uma seqüência ou projeto, entendemos que a criança aprendeu porque teve uma intensa participação que envolveu a resolução de problemas de naturezas diversas.
O resultado de um trabalho não deve ficar guardado num caderno, pastas ou fichários, mas sim ser exposto por meio de uma ação, como um sarau de poesias, apresentação de um teatro, seminários, exposições, por exemplo ou objetos concretos como livros, DVDs, álbuns.Desta forma o conhecimento é transformado e tem um uso real e social.


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12. Avaliação

Orientação Didática: A avaliação deve acontecer ao longo de toda a seqüência, pois se acredita num processo no qual o aluno é convidado a se envolver e realizar diferentes tarefas. Olhar para sua capacidade em resolver problemas, criar estratégias, analisar e refletir sobre a língua portuguesa podem ser alguns critérios avaliativos.

Para saber mais:
 PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais, MEC.
 Gêneros Orais e Escritos na escola, de Bernard Schneuwly, Joaquim Dolz e colaboradores, publicado pela Editora Mercado das Letras.
 O Ensino da Linguagem Escrita, de Myriam Nemirovsky, pela Ed. Artmed.
 Escrever e Ler vol.2 , de Luis M.Curto, Maribel M. Morillo, Maneul M. Teixidó. Ed. Artmed.
 Ler e Escrever na Escola - O Real, Possível e o Necessário, de Delia Lerner. Ed. Artmed.